Tá pensando que sou lóqui, bicho ? - Antônio Reis

O título deste texto é quase homônimo de uma música de Arnaldo Dias Baptista, multi-instrumentista, compositor dos Mutantes, ícone da contracultura no Brasil. Lá pelos idos de 1970, usava-se a gíria “lóqui” para definir o tolo, o “pilha fraca”, o “desparafusado”. Querer fazer do outro um lóqui, era agir de má-fé. Hoje, ficaria mais ou menos assim: “Tá pensando que eu sou vacilão, mano?”.

De tanto receber fake news pelo aplicativo de mensagens no celular e redes sociais, me pego a pensar o que se passa pela cabeça de quem as envia. Concluo que se dividem em dois grupos: lóquis e safardanas. E ambos medem os outros pela própria régua, julgam a todos como seus iguais. Os dois grupos agem juntos e misturados, um precisa do outro.

Os lóquis, mal leem o texto e já disparam a mentira “para Deus e todo mundo”. Se julgam portadores da verdade que salvará a humanidade, e sua missão é levar adiante a “boa-nova”. Os safardanas, além de criadores da “obra” ajudam na divulgação, que vai da mamadeira de piroca a salário digno de marajá sem sair do conforto de sua casa.

A indigência moral não poupa sequer as vítimas do maior sofrimento dos nossos dias: o desemprego. Dia desses, recebi uma mensagem via celular de um desconhecido se apresentando como encarregado do departamento de recursos humanos da Amazon no Brasil.

Dizia ser eu integrante de seleto grupo de pessoas escolhidas para parceiras da gigante do e-commerce. Para cima de quem, meu Deus! Sou tão desconfiado, mas tão desconfiado que tiro dinheiro do banco, conto e deposito de novo.

Até achei graça da proposta de parceria, mas decidi bloquear o número daquele desconhecido, não sem antes mandar-lhe uma resposta de advertência: “Tá pensando que sou lóqui, bicho?”.

Antônio Reis é jornalista, ativista
do Grupo Experimental da Academia
Araçatubense de Letras (AAL) e  
editor do blog Experimentânea.
 Instagram: @antonio_s_reis

 

 

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