Postagens

Mostrando postagens de março 24, 2024

Golpe e escola com partido nunca mais - Antônio Reis

Imagem
Neste de 31 de março o golpe militar de 1964 completa 60 anos. Por muito tempo foi comemorado nas escolas, que repassavam à criançada a versão dos vencedores, os golpistas. Com a redemocratização do País, a data caiu na vala do esquecimento. As comemorações, no entanto, emergiram do esgoto no governo passado (2019-2022), principalmente nos círculos militares, nos grupos de alienados e dos mal-intencionados. Lembro-me dos meus primeiros anos escolares, na década 1970, os anos de chumbo, quando éramos obrigados a cantar o Hino Nacional todas as sextas-feiras após as aulas. Havia declamação de quadrinhas rimadas exaltando “valores patrióticos” e heróis nacionais, que mais tarde descobri não serem tão heróis assim. Quando completou dez anos, em 1974, o 31 de março foi comemorado com uma semana de cantoria. À época, a maçante “Eu te amo meu Brasil”, dos medíocres Dom e Ravel, impulsionada pelos milicos, fazia sucesso com “Os Incríveis”, cuja expetise era músicas enfadonhas. E tínhamos de c...

Mãenhê, vou pra Palestina - Antônio Reis

Imagem
Enfermeiro recém-formado, Maykel Rodrigo chegou em casa estabanado e feliz por ter arrumado emprego depois de muito bater cabeça. O rosto claro do rapaz de 23 anos gotejava suor. Ansioso por um banho e cantarolando a todos os pulmões “Me devolve pros rolês”, sucesso de Zé Neto e Cristiano, arrancou a camiseta exibindo barriga e costas tatuadas acima da cintura. - Que foi, filho? Qual o motivo de tanta animação? Perguntou a mãe, uma senhora de pele branca, cabelos claros, quase loira, de uns 50 ou pouco mais, de estatura mediana, quilinhos a mais e cara de quem busca a salvação eterna a todo instante. O rapaz abraçou-a, em seguida deu um passo atrás, segurou-a pelos ombros e encarando-a com firmeza explicou a euforia. - Mãe, vou pra Palestina. Fui contratado por um hospital para trabalhar na ala de emergência e de feridos graves. Não é maravilhoso, poder ajudar as pessoas, salvar vidas?   - Tá de brincadeira... - Tô não, mãe. Tô é empregado depois de tanto tempo.   ...