Golpe e escola com partido nunca mais - Antônio Reis
Neste de 31 de março o golpe militar de 1964 completa 60 anos. Por muito tempo foi comemorado nas escolas, que repassavam à criançada a versão dos vencedores, os golpistas. Com a redemocratização do País, a data caiu na vala do esquecimento. As comemorações, no entanto, emergiram do esgoto no governo passado (2019-2022), principalmente nos círculos militares, nos grupos de alienados e dos mal-intencionados. Lembro-me dos meus primeiros anos escolares, na década 1970, os anos de chumbo, quando éramos obrigados a cantar o Hino Nacional todas as sextas-feiras após as aulas. Havia declamação de quadrinhas rimadas exaltando “valores patrióticos” e heróis nacionais, que mais tarde descobri não serem tão heróis assim. Quando completou dez anos, em 1974, o 31 de março foi comemorado com uma semana de cantoria. À época, a maçante “Eu te amo meu Brasil”, dos medíocres Dom e Ravel, impulsionada pelos milicos, fazia sucesso com “Os Incríveis”, cuja expetise era músicas enfadonhas. E tínhamos de c...