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Mostrando postagens de julho 17, 2022

Geada negra - Antônio Reis (*)

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Quando os serviços de meteorologia preveem frio mais rigoroso, meu emocional é de preocupação e saudosismo. Preocupação com os sem-teto e os sem-cobertor, além dos sem-sopa e dos sem-café quentes, impossibilitados de aquecer a barriga. Já o saudosismo fica por conta da geada de 1975, a mais impiedosa já enfrentada pelos moradores do centro-sul do País que continuam vivos.     Lembro-me de um domingo em que eu, mãe, pai e as três irmãs passamos o dia todo reunidos na cozinha ao redor do fogão a lenha. Chá e café para esquentar os corpos. Histórias do pai e mãe relembrando outras geadas que comparavam à daquele julho de 1975. As recordações dos velhos e as possibilidades para os dias seguintes fluíam com dois ou três gatos enrodilhados aos nossos pés. Aquele frio em demasia ficou conhecido como geada negra, pois queimou plantações de quase tudo. À época, pés de mamão eram “obrigatórios” nos quintais da periferia. O frio matou-os e a fruta desapareceu por bom tempo das mesas ...