E o Febeapá continua - Antônio Reis
“Se você não acredita que o reino do Céu é aqui, repare então como os pobres de espírito se divertem”. A sentença é de Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto que, se vivo estivesse, seria catalogado como artista multimídia, dado o seu talento de jornalista, radialista, humorista, publicitário, teatrólogo e escritor. Ah, também era exímio praticante do alterocopismo. O debochado carioca se notabilizou por suas crônicas diárias nos jornais do Rio de Janeiro nos anos 1950/60. As crônicas reunidas em livro renderam três volumes do Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País). O autor registrava no dia a dia a cômica ignorância nacional envolvendo políticos, generais, policiais, religiosos, intelectuais, servidores públicos da alta esfera. O auge do Febeapá foi após o 31 de março de 1964, que entrou para a história oficial como revolução, mas que o cronista jurava ter sido em 1º de abril, e deu-lhe o nome de “redentora”, a ditadura que veio para nos livrar de todos...