Obrigado, Orelhão - Antônio Reis
Semana passada foi noticiado que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) autorizou as concessionárias do serviço de telefonia a retirarem das ruas os telefones públicos, o popular e carinhosamente apelidado orelhão. Ninguém mais usa telefones de rua, outrora xodó dos brasileiros de baixa renda, da periferia, das mocinhas que namoravam a distância, dos pedidos de socorro à polícia e à ambulância. E claro, da molecada endiabrada que se divertia passando trote. Os ingratos trocaram a invenção brasileira pelos modernos smartphones. O orelhão fez parte do cotidiano dos brasileiros. Os primeiros, da cor laranja, foram instalados em 1972 nas capitais e faziam apenas chamadas locais. Depois vieram os azuis para interurbanos. Anos depois, os orelhinhas para crianças e cadeirantes. No início dos anos 1980, os comunitários, que recebiam chamadas. Em 1992, as fichas foram substituídas por cartões. Repórter de jornal naquela época sofria para atender a população que reivindicava orelhão no ...