Crise, coaches e demissões - Antônio Reis
O economista e ex-ministro do Planejamento, Roberto Campos (1917-2001), tem uma máxima que consta de sua rica biografia: “Há três maneiras de o homem conhecer a ruína: a mais rápida é pelo jogo; a mais agradável é com as mulheres; a mais segura é seguindo os conselhos de um economista”. Gostaria de saber o que ele diria dos conselhos dos coaches financeiros.
É bem verdade que Roberto Campos foi ministro de 1964 a 1967, quando o Brasil estava numa ditabranda caminhando para uma ditadura. Entretanto, foi o criador do FGTS, da Caderneta de Poupança, do BNDE (atual BNDES) e do Estatuto da Terra, entre outros pilares do Brasil atual. Então, dica por dica, prefiro a de Roberto Campos, que, além do mais, era dono de vasta cultura.
Desconfio que os coaches que ensinam o milagre da multiplicação do dinheiro, não conhecem as três maneiras que levam à ruína. Ou são do tipo: “Façam o que eu falo, mas não façam o que eu faço”. As redes sociais são ricas de figuras do tipo (fotógrafos que em vez de ganhar dinheiro fotografando, preferem ganhar dinheiro ensinando como se ganha muuuuito dinheiro fotografando!?). O mesmo se aplica a outros produtores de conteúdo para redes sociais.
Voltando ao desconhecimento das três maneiras que levam à ruína, talvez os coaches também estejam alheios à Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que se estivesse em vigor no Brasil, com crise ou sem crise, não poderiam ter demitido.
Como não acompanho nenhum coach e tenho comigo a máxima de Roberto Campos, acho que jamais receberei a graça do milagre que multiplica dinheiro através de aplicações financeiras. Além do mais, desde cedo, aplico todas as minhas economias em “contas a pagar”.

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