Vivas ao trabalhador. Vivas à vida além do trabalho! - Antônio Reis
O 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, isso mesmo, dia do trabalhador e não do trabalho, é feriado nacional e em grande parte do mundo, daí a sua dimensão internacionalista. Um dia todinho para o trabalhador chamar de seu, pois os outros 364 são do patrão. Portanto, trabalhador e trabalhadora, aproveite o feriado para fazer tudo aquilo de que mais gosta.
A origem do Dia do Trabalhador remonta ao ano de 1886, quando operários norte-americanos deflagraram uma greve no dia 1º de maio. Eles reivindicavam a redução da jornada de trabalho de 12 para 8 horas diárias. Nos dias seguintes, a polícia reprimiu ferozmente as manifestações, matando uma porção de grevistas em Chicago, prendendo os líderes do protesto e condenando alguns à forca. Somente em 1919, quando a França adotou oito horas de trabalho por dia, o 1º de maio passou a ser o Dia Internacional do Trabalhador e ganhou o mundo com a nova jornada. No Brasil, a data foi oficializada em 1924.
Não sei se o balconista de farmácia e influenciador digital Rick Azevedo, de 30 anos, do Rio de Janeiro, tem conhecimento do massacre de Chicago, mas está fazendo história. Cansado de trabalhar seis dias por semana e folgar um, além de revoltado com a exploração da empresa (um conglomerado de farmácias), ele lançou pela rede social Tik Tok um manifesto contra a jornada de trabalho 6x1 e propôs a semana de 4x3 (quatro dias de trabalho por três de folga).
Sua live bombou e do dia em que foi lançado (13 de setembro de 2023) até a primeira semana de janeiro, 550 mil pessoas já haviam aderido ao manifesto “Vida além do trabalho (VAT)”, com ênfase na saúde do trabalhador e na qualidade de vida. A proposta rapidamente ganhou as páginas de jornais e revistas, inclusive alguns de linha editorial notoriamente neoliberal.
Rick Azevedo perdeu o emprego, é verdade, mas lançou no Brasil, de forma consistente, uma proposta que é testada na Europa e, segundo especialistas, uma tendência do mercado de trabalho nos próximos anos. “Vamos exigir que o Ministério do Trabalho e o Congresso escutem essas mais de 500 mil pessoas que assinaram a petição”, diz o balconista, que se lançou ao desafio: “Minha missão é acabar com a escala 6x1”.
A luta de Rick Azevedo é a mesma dos grevistas norte-americanos. O manifesto 4x3 entusiasmou tanta gente devido ao nome com que foi batizado: “Vida além do trabalho”, que se popularizou como VAT. A proposta consiste em trabalhar o suficiente para viver o máximo, com mais tempo para descansar, churrasquear, beber umas e outras, pescar, visitar os amigos, andar à toa pela cidade, bater uma bolinha com a turma, fazer crochê, tomar chá da tarde com as vizinhas, praticar atividades físicas, passear com o animalzinho de estimação, ler um livro, escrever poesia. O VAT é isso.
Antônio Reis é jornalista em Araçatuba,
atualmente se dedica a assessoria de
comunicação, é fotógrafo diletante
e ativista do Grupo Experimental.

VAT oara quem tem que trabalhar!!!
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