Ovo frito, o zoião nosso de cada dia - Antônio Reis

Em tempos de vacas magras e carne cara, o ovo se tornou a principal fonte de proteína animal para muitas famílias. É um dos alimentos de que mais gosto, seja frito, cozido, pochê, quente (cozido com a gema mole), mexido, omelete e ainda como ingrediente na salada, na pizza (portuguesa) ou no cuscuz.

Ir a supermercado não me é uma atividade prazerosa, embora engraçada quando olhares jocosos são dirigidos a mim e à minha cartela de ovos. A exemplo das carnes de primeira ou de segunda para “variar o cardápio”, às vezes compro ovos vermelhos, aqueles de casca mais resistente, gema mais escura e, lógico, mais caros. São ovos das galinhas da raça Rhode Island Red.

Voltando aos olhares jocosos, imagino-os se me vissem na fila do osso ou do pé de frango, que, maldito seja, não nos permite distinguir se são das penosas reds (vermelhas) ou das whites (brancas). Seja lá de qual for, o importante é que em breve, graças à reviravolta política no país, osso e pé de frango serão opções e não alternativas para os “menos favorecidos pela sorte”.

O ovo, esse sim, continuará no prato do pobre e do nobre, apesar das pesquisas científicas. No meu tempo de moleque, o ovo era o alimento e o povo do meu reduto não vivia sem ele. Anos depois, se tornou o vilão da saúde do coração por ser rico em LDL, o colesterol ruim, que entope veias e coronárias e, de repente... (deixa pra lá).

O consumo de ovo foi impulsionado recentemente, pois descobriram que seu alto teor de proteínas prolonga a sensação de saciedade, fazendo com que as pessoas comam menos de outros alimentos e, combinando com exercícios físicos, percam peso e ganhem massa muscular. Concluíram também que o ovo tem isso e aquilo e, portanto, é o alimento perfeito. Há cinco anos, decidi por uma reeducação alimentar. Apesar de gostar muito, se seguisse as orientações da nutricionista entraria para o Guinness Book como o maior comedor de ovos.

Atualmente, uma pesquisa em curso na Grécia, publicada na revista Nutrients, sugere que o consumo de ovos é saudável, porém em quantidade muito reduzida. É o vaivém da ciência, do conhecimento e da própria vida. Embora reconheça a importância da ciência, torço para que, no frigir dos ovos, a pesquisa dos gregos esteja errada.

 

Antônio Reis é jornalista, ativista
do Grupo Experimental da Academia
Araçatubense de Letras (AAL) e
editor do blog Experimentânea.
Instagram: @antonio_s_reis

 

 

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