Joias, Arábias e tempo perdido - Antônio Reis
Juro que não queria abordar o famoso, e precioso, presente da Arábia Saudita formado por um conjunto de joias avaliado em R$ 16,5 milhões. O generoso príncipe saudita Mohammed bin Salman costuma dar a chefes de Estado e a altas personalidades mimos que custam alguns milhares de euros, mas ao que tudo indica dessa vez exagerou.
As joias que vieram parar no Brasil totalizam cinco vezes mais que o par de brincos que bin Salman deu à duquesa Meghan Markle, avaliado em R$ 3,2 milhões. E olhe que Meghan é casada com o príncipe Harry, que, embora não seja o primeiro da linha sucessória, é nascido no palácio de Buckingham, bem distante de territórios milicianos. Um casal diferenciado, diga-se de passagem.
Talvez o critério de Salman na escolha dos presentes seja afinidade ideológica. Quem despreza mulheres e LGBTQIA+, persegue jornalistas, idolatra violência, faz apologia à tortura, é contra democracia, merece presentes mais valiosos. Critério é critério, fazer-se o quê? Mas que tem cheiro de suborno ou propina, isso tem.
As joias, o conto, a nossa história recente, as atuais circunstâncias, me obrigam a uma reflexão: “Se um dia perdido é uma joia preciosa insubstituível, imagine o imenso tesouro que o País perdeu nos últimos quatro anos”.
da Academia Araçatubense de Letras
(AAL) e editor do blog Experimentânea.
Instagram: @antonio_s_reis

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