Fraternidade, sim; fome, não! - Antônio Reis
Muitos
temas são “espinhosos” para os que interpretam a vida a partir do catecismo
cristão branco-hetero-capitalista, que colocam “pátria, família e propriedade”
acima de tudo e de todos. Não percebem que podem ser o fermento na massa. Os
temas da CF são pautados pelos problemas que clamam por soluções mais urgentes.
O deste ano é “Fraternidade e Fome”, o mesmo de 1985.
Para o
secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Joel
Portella Amado, o tema de 2023 foi escolhido dada à volta do Brasil ao Mapa da
Fome da ONU. A explicação do bispo remete aos esforços de governos
progressistas para alimentar a população do país que mais produz alimentos,
sucedidos por outros que destruíram esse avanço social, retrocedendo a 1985.
A
fome referida na Campanha da Fraternidade não é a que se sente entre uma refeição
e outra. É a fome dos yanomamis, do gentio preto das periferias, dos
desabrigados pelas enchentes; das vítimas do desemprego, do trabalho
semiescravo e da LGBTfobia. Estes são famintos porque são vítimas do maior
escândalo brasileiro: a desigualdade social.
Ao
menor risco de ter seus privilégios ameaçados por um prato de comida, a elite
perversa e responsável pela miséria no país derruba governo, prende opositores
e, para aprofundar o abismo social, faz reforma trabalhista, reforma da Previdência,
PEC da Responsabilidade Fiscal, promove o subemprego disfarçado de
“empreendedorismo”.
Pena
que a Campanha da Fraternidade dure apenas uma quaresma, tempo de penitência,
insuficiente para o entendimento geral da nossa fome histórica e também para um
alerta: “Sejais fermento na massa, caso contrário, o pão nosso de cada dia não
será suficiente para todos”.
Araçatubense de Letras (AAL) e editor

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