Memórias musicais - Antônio Reis


Dia desses fiquei surpreso com a notícia da segunda edição de “Noites Tropicais”, de Nelson Motta, lançado em 2000. Ganhei o livro de uma colega jornalista por ocasião do meu aniversário, meses após o lançamento. É daquelas leituras que a gente não quer parar até que o livro termine. Devorei as 450 páginas em tempo recorde. 

A obra trata das memórias musicais do autor (jornalista, compositor, produtor musical), começando em 1958, lógico, com a música “Chega de Saudade”, de João Gilberto. E terminando em 1990, quando, segundo o autor, a “República de Alagoas” marcou o início de uma das fases mais tristes da exuberante música popular brasileira: “O boom da música sertaneja”. Nelson Motta detesta o sertanejo.

Noites Tropicais, revisto e ampliado, será lançado em 25 de janeiro no Rio e dia 31 em Sampa. Possivelmente já está disponível nas plataformas digitais. Se na primeira edição o autor deixa claro sua aversão à “República de Alagoas” e ao aparelhamento da “Casa da Dinda”, cujas festanças tinha o sertanejo como trilha sonora, fico curioso para saber como trata, ou se não trata, a “República das Milícias” na nova edição.

O livro relata as trajetórias do fino da MPB. Gostei muito da abordagem do início das carreiras de Roberto Carlos e Tim Maia (responsável pelos trechos mais hilários). A obra é indicada para quem aprecia Chico, Caetano, Gil, Gal, Bethânia, Elis, Nara, Milton, Edu Lobo, João Gilberto, Tom, Vinícius, Toquinho, Caymmi, Paulinho da Viola, bossa nova, samba, samba-jazz, pop... Enfim, repito, o melhor da música brasileira entre 1958 e 1990.  

Nelson Motta compôs, em parceria com Lulu Santos, “Como uma onda no mar”, que tem uma bela letra. No entanto, em decorrência dos últimos acontecimentos no Brasil, tenho me lembrado muito de “Aroeira”, de Geraldo Vandré: “Madeira de dar em doido, vai descer até quebrar/É a volta do cipó de aroeira, no lombo de quem mandou dar”.

Antônio Reis é jornalista, ativista do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras (AAL) e editor do blog Experimentânea. Instagram: @antonio_s_reis

 

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