Depois da Copa, o Oscar ! - Antônio Reis
Para que um fato histórico e trágico não se repita na condição de farsa, não pode ser esquecido. E o filme “Argentina 1985”, do diretor Santiago Mitre, contribui para que regimes políticos autoritários e desumanos não se repitam. O filme retrata o julgamento de 709 acusados de crimes na última ditadura argentina, de 1976 a 1983.
Entre os condenados, dois ex-presidentes: Jorge Rafael Videla (prisão perpétua) e Roberto Eduardo Viola (17 anos de prisão), ambos generais, viu? Emilio Eduardo Massera, almirante e um dos articuladores do golpe que derrubou a presidenta Isabelita Perón em 1976, também pegou prisão perpétua. “Tuti buona gente” (cidadãos de bem, no português corrente).
A ditadura argentina foi acusada de “cancelar 30 mil CPFs” (qualquer semelhança com um militar brasileiro que sugeriu a morte de 30 mil pessoas numa guerra civil é mera coincidência, talquei ?). As condenações se deram graças ao promotor Julio César Strassera e a um grupo de jovens advogados e estudantes de Direito, capitaneados pelo assistente de acusação Luis Moreno Ocampo. Todos sofreram ameaças e perseguições, comuns quando as fardas se sentam no banco dos réus.
Conservadora e alienada, a mãe de Ocampo assistia à missa dominical ao lado de Videla, e, portanto, se opunha à atuação do filho. Quando a senhora tomou conhecimento dos assassinatos, estupros, torturas e todo tipo de sevícias, telefonou ao filho para anunciar apoio ao trabalho dele. O jovem idealista chorou. É uma das cenas mais comoventes do filme.
“Argentina 1985” reforçou e mim uma convicção: “Ditadura nunca mais”. E “anistia, não” para os safardanas que atentaram contra a democracia brasileira no 8 de janeiro. Depois de Lionel Messi levantar a taça da Copa do Mundo, será bacana se Santiago Mitre ganhar a estatueta de melhor filme estrangeiro na premiação do Oscar. Será um troféu para a democracia nos países latino-americanos e para a autoestima dos cucarachas.

Comentários
Postar um comentário